28 setembro 2006

Juan Carlos Ganzo Fernandez



Foto tirada em 1969 no pátio da casa de meu vô Juan Carlos Ganzo Fernandez. Aparecem aqui minhas tias Francy, Carlota, meus primos Adriana e João Alberto, vô Juan Carlos, vó Albertina, meu pai Dalby Verani Pereira, minha mãe Clorinda e meus irmãos, Dalby, Ricardo, Marcelo, Marquinhos e Eu!

24 de julho de 1982... passava das 3 da tarde... minha mãe havia ido na casa do Sr. Odilon Silva pegar algo... meu pai e eu ficamos no carro aguardando aquela breve visita. Quando minha mãe retornou ao carro sua aparência era de espanto... haviam dados os pêsames a ela! Foi ali, inesperadamente que ela soube da morte de seu pai.
Lembro-me como se fosse hoje... a primeira palavra que me veio foi: descansou coitadinho!
Engraçado, naquele momento foi como uma sensação de alívio, afinal sabíamos o tanto que meu vô vinha sofrendo... mas depois... meu Deus... como chorei! Me veio todas as lembranças... boas lembranças!

Convivi com meu avô durante 15 anos, mas digo, foram anos que durarão para sempre. Aquele avô era muito especial. Tratáva-nos como filhos... ou mais do que isso, se é possível... não há qualquer vestígio de eventos desagradáveis na presença dele... nossa... éramos seus filhos caçulas... eu? Eu era um neném... ele me dava carinhos e mais carinhos... contava histórias, fábulas, com aquele seu sotaque espanhol... brincava... mesmo idoso e doente, tentava nos oferecer o seu maior bem... seu amor irredutível e apaixonante!

Este homem, me carregou no colo com o mesmo carinho a que carreguei meus filhos... foi um pai a mais para nós... uma benção de Deus!

Lembro quando ele me convidava para dormir... deveria ter meus 5 ou 6 anos... que delícia de lembrança! Lá ia eu faceiro deitar com meu avô... aquele que era uma figura maravilhosa em meus sonhos e pensamentos... e deitava ao lado dele... ouvia-o primeiramente contar alguma histórinha... e quando lá estava eu, quase adormecendo... me fazia cócegas memoráveis!!! Ahhh... que saudade daqueles momentos... daquele carinho, daquele amor!

Juan Carlos adoeceu pouco tempo depois... mas sempre que melhorava tratáva-mos de nos aproximar dele, de conversarmos com ele... de ouvirmos suas histórias.
Nossas visitas não eram diárias, mas com certeza íamos todos os domingos!
Almoçáva-mos em sua casa aos domingos... aquela fartura de deliciosas comidas preparadas com carinho pela Iaiá e a Guiomar e pela vó Albertina.
Domingo... que dia legal, almoço na vó Albertina!!! Era uma verdadeira ansiedade durante a semana... o domingo havia de chegar. Encontrar os primos, os tios... sempre havia muitas pessoas lá. Tio Beto, tia Carlota, Adriana, João Alberto, Carluxo... Tia Francy, Luiza Maria, Ricardo, Corina, Ana Luiza... meus irmãos... o Nona, o Jorge... sem contar as visitas inesperadas... sempre muita gente... e mais... os gatos... contei onze deles numa ocasião... e mais ainda... os pombos que meu avô adorava alimentar na palma da mão... dezenas deles... o querido Rusty, o cachorro de meu avô... quanta coisa para lembrar...

Passou... ficou a saudade... nem mais a casa existe... mas ao passar em frente ao terreno, com certeza muitas lembranças nos vem... todas lindas...

Juan Carlos, após um longo sofrimento, onde sua amada Albertina o auxiliou sem descanso, partiu... com certeza descansou! Mas deixou seu coração e sua bondade aqui... herdamos suas qualidades e virtudes e nos orgulhamos de sermos seus descendentes!
Meu vô... Juan Carlos Ganzo Fernandez... um dos meus ídolos... como todo ser maravilhoso, não morreu... vive para sempre no coração e na lembrança de seus familiares e amigos.

Se acredito em reencarnação ou em outra vida, outra dimensão... não sei... mas tenho uma certeza: Quando meu dia chegar, o meu desejo será o de abraçá-lo com muita força e beijá-lo como nunca o beijei... e pedirei a ele: vô, me leva para dormir!?!

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