24 agosto 2015

Há um século no Correio do Povo... 26 de julho de 1912

Correio do Povo, 26 de julho de 1912.

O coronel Ganzo Fernandez assignou, hontem, contrato com a companhia Força e Luz, afim de que esta forneça energia electrica para accionar um motor que fornecerá luz ao jardim zoologico, onde serão collocadas 3.000 lampadas incandescentes e 20 focos de arco voltaico.



O Rádio em Porto Alegre - http://lealevalerosa.blogspot.com.br/

O Rádio em Porto Alegre


R.S.R – Rádio Sociedade Riograndense
A primeira Rádio
Setembro, Outubro, Novembro de 1924

“Já não há, conquista de nossa época, distâncias invencíveis, e as antigas mocidades do tempo foram abolidas.”


A frase de impacto, escolhida a dedo pelo então diretor da Biblioteca Pública do Estado, Eduardo Guimarães, poderia ter passado à história, mas acabou caindo no esquecimento. O momento era propício para as veleidades (intensão passageira) intelectuais e as previsões otimistas. 

Juan Edison Ganzo Fernandez, com sua equipe, na rádio Sociedade Rio-Grandense em Porto Alegre.

Foto: João Francisco Ganzo Barcellos, neto de Juan Edson Ganzo Fernandez
***
Em 1979, 55 anos depois, os fatos envolvendo a noite de setembro de 1924, um domingo, seriam recuperados, com a publicação de:

"Raízes e Evolução do Rádio e da Televisão".

- No livro, em um trecho com quatro páginas, sob o título Correção de um erro histórico,Octavio Augusto Vampré registrava, embora rapidamente, a trajetória da RádioSociedade Rio-grandense, primeira entidade a realizar, de forma organizada, transmissões radiofônicas no Rio Grande do Sul.

- Persiste a idéia de que a radiodifusão sonora no estado surgiu na cidade de Pelotas, a 256 km de Porto Alegre, em 1925, com a Sociedade Anônima Rádio Pelotense.
Por esta linha de raciocínio, na capital, a primeira emissora seria a Rádio Sociedade Gaúcha, cujas transmissões iniciam, em caráter oficial, no dia 19 de novembro de 1927. Esta é, inclusive, a versão difundida pela Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão (Agert).

Nota:
- Nas três primeiras décadas do século, Porto Alegre vive um sonho de urbanização.

Plano de Melhoramentos da Capital - 1914
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Em 1914, por determinação do intendente (prefeito) José Montaury de Aguiar Leitão, o arquiteto
João Maciel elabora o Plano de Melhoramentos, base da reorganização dos espaços urbanos da capital gaúcha.
Seis anos antes, a entrada em funcionamento da Usina Elétrica Municipal garantira a energia necessária para que os bondes movidos a eletricidade começassem a circular.

Praça da Alfandega
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É justamente em 1924, com Otávio Rocha na Intendência Municipal, que o planejamento proposto no Plano Maciel há uma década começa a sair do papel.
Novas ruas e avenidas vão surgir.
Erguem-se grandes prédios públicos como o Palácio Piratini, sede do governo gaúcho, inaugurado em 1921; a Biblioteca Pública, concluída em 1922; ou o prédio do jornal A Federação, porta-voz impresso do poder, construído no biênio 1921-1922.

Em 03 de abril de 1924, o jornal A Federação, órgão do Partido Republicano Rio-grandense, publicava:

“Irradiações fônicas a domicílio - Um grupo de jovens aqui residentes pretende instalar, nesta capital, um serviço de irradiações fônicas a domicílio, mediante modesta mensalidade, a fim de que possam gozar de tão importante melhoramento até mesmo as pessoas menos abastadas”.
“As irradiações fônicas consistem na transmissão a domicílio da radiotelefonia recebida do Rio, Buenos Aires e Montevidéu. Também serão transmitidas a domicílio: concertos, discursos, conferências, séries humorísticas, poesias, audições teatrais, receitas úteis para as famílias, notícias importantes e tudo aquilo que possa interessar às famílias.”

Integrando este grupo de entusiastas, Evaristo Bicca e Edison Ganzo viajam para Buenos Aires/ Argentina, cidade em que várias experiências em radiodifusão já vinham sendo realizadas.

Da capital da Argentina, trazem um transmissor adquirido com a colaboração de Alberto de Brito e Cunha. Graças ao aparelho, estavam garantidas as condições técnicas para efetivar o funcionamento da sociedade, ainda sem nome.

Em paralelo, a Companhia Telefônica Rio-grandense expande suas linhas pelo estado.

Desde o dia 19 de abril de 1922, Porto Alegre, conta com “telefones automáticos”, um avanço tecnológico inédito em toda a América do Sul, compartilhado apenas com Rio Grande.

“O telefone automático, de que se podem orgulhar de possuir as duas cidades rio-grandenses, deixa qualquer assinante que o tenha em sua residência ou negócio o arbítrio de fazer ele próprio a sua ligação instantânea, a menos que o aparelho que se pretenda esteja em comunicação.”

É, portanto, no seio de uma empresa com pretensões inovadoras que o rádio começa a ser pensado como algo mais concreto no estado. Antes disto, os indícios oferecidos pelas edições dos dois principais periódicos da capital gaúcha – o Correio do Povo e A Federação – confirmam a existência de receptores, trazidos do exterior por algum entusiasta ou importados por meio de casas comerciais como a Barreto Vianna, a Byington ou a Bromberg. Além disto, existiam galenas fabricadas artesanalmente.

Em julho de 1924, no contexto de curiosidade em torno da inovação tecnológica, o então diretor do jornal Correio do Povo, José Alexandre Alcaraz, contrata a importação de um receptor, vendo no rádio uma utilidade semelhante à do telégrafo, pelo qual chegavam notícias de outros estados e países.

“Acompanhando o maravilhoso desenvolvimento da radiotelefonia, que por toda parte está assumindo extraordinária importância, o Correio do Povo encomendou nos Estados Unidos, por intermédio da casa Bromberg e Cia., desta praça, um dos mais aperfeiçoados aparelhos no gênero.
Dotado de um poderoso alto-falante, permitirá não só receber notícias como ouvir concertos e representações teatrais emitidos em Montevidéu, Buenos Aires e outras estações transmissoras.
O aparelho encomendado, que não ficará somente ao serviço desta folha, mas também será posto à disposição do público quando a ocasião se ofereça, tem as seguintes características: contém seis tubos ou lâmpadas, utiliza para a sintonia bobinas tipo ninho de abelhas e, para a ampliação e a reprodução, um potente ampliador alto-falante da Western Electric Co., que constitui uma combinação inigualável, tanto relativamente ao volume. como à intensidade dos sons produzidos”.

Em 04 de setembro de 1924, os “amadores da radiotelefonia”, como chamavam os jornais, reúnem-se no salão nobre do jornal A Federação, cujo diretor interino, o jornalista Decio Martins Coimbra presidiria os trabalhos, sugerindo que a nova entidade adotasse a denominação de Rádio Sociedade Rio-grandense.

“Fundação de uma sociedade de radiotelefonia - Em reunião realizada, anteontem, foi fundada uma sociedade de radiotelefonia, a exemplo das existentes no país e no estrangeiro”.

Presidiu os trabalhos, que correram animados, o doutor Decio Coimbra que, depois de explicar os fins da reunião, declarou instalada a Rádio Sociedade Rio-grandense.

Os senhores Edison Ganzo, Alberto de Brito e Cunha e Evaristo B. Quintana, proprietários de um aparelho transmissor já instalado nesta capital, puseram a referida estação à disposição da Rádio Sociedade até que esta possa adquirir uma própria, sendo esse oferecimento agradecido pelo presidente.

Ficou, então, combinado que se iniciassem as irradiações experimentais a 07 do corrente, em homenagem à data aniversária de nossa emancipação política.

Tratou-se, depois, da escolha da diretoria provisória, que ficou assim constituída:

Presidente, doutor Decio Coimbra; vice-presidente, J.M. Barreto Vianna; secretário,
Augusto de Carvalho; tesoureiro, Dario Coelho; direção técnica, Edison
Ganzo, Adeodato Araújo e Germano Heussler; Conselho Diretor, Alberto de
Brito e Cunha, doutor Oscar Pedreira, Moacyr Godoy Ilha, Pelegrin Filgueiras,
Evaristo B. Quintana, Victor Coussirat de Araújo, Gustavo Leyraud, Tasso Bolivar
Corrêa, Pedro Notari, Eloy Moraes; Conselho Fiscal, coronel Juan Ganzo
Fernandez, doutor Mario Reis, doutor Viterbo de Carvalho.

Esta diretoria funcionará até que esteja definitivamente organizada a Rádio Sociedade Rio-grandense, quando se procederá a eleição da nova diretoria.

Rádio Sociedade Rio-grandense tem por fim proporcionar audições musicais, conferências literárias, científicas, informações comerciais, câmbio etc.
Decidida a data, foi feita a transmissão inaugural.

Como se vê, os sócios da R.S.R. - sigla com a qual a imprensa passou a denominar a entidade – pretendiam seguir os passos de Edgard Roquette Pinto e de sua quase homônima Rádio Sociedade do Rio de Janeiro.
A rigor, os poucos dados disponíveis a respeito destas transmissões denotam uma grande afinidade política com o governo da época, como se verá mais adiante.

Antes é necessário compreender como a introdução do rádio no extremo sul brasileiro relaciona-se com o ideal de modernização, de progresso amparado na ordem, tão caro ao Positivismo (filosofia política hegemônica no Rio Grande do Sul desde a promulgação da Constituição Estadual, de 14 de julho de 1891), mesma data que o autor deste documento legal, Júlio de Castilhos, do Partido Republicano Rio-grandense, chegou à Presidência gaúcha.

A primeira transmissão radiofônica
Em 07 de setembro de 1924, a noite, nos salões da Vila Diamela, a conhecida residência do empresário Juan Ganzo Fernandez na Avenida 13 de Maio (atual Getulio Vargas), no bairro Menino Deus.
Em um clima típico de sarau em que desfilava a elite da época, as transmissões começaram às 21h00, com o discurso de Eduardo Guimarães, “saudando o presidente do estado, secretários do governo, demais autoridades civis e militares, e amadores da radiotelefonia, tanto no país como no estrangeiro”.

Na seqüência, o programa, divulgado na edição dominical do principal jornal da Porto Alegre de então, o Correio do Povo, previa a difusão de informações com “resultados dos matchs de foot-ball, das corridas da Protetora do Turfe etc.”, sobre o que não há indícios de que tenha ocorrido ou não.

O ponto alto da noite, no entanto, ficou a cargo de números musicais predominantemente eruditos, como trechos da ópera Lohengrin, de Richard Wagner, uma Polonaise, de Frédéric Chopin.
Obras de compositores mais recentes à época como o russo Sergei Rachmaninoff também faziam parte da apresentação.
Foram incluídos ainda trabalhos de brasileiros como a Canção da Saudade, do poeta pernambucano Olegário Mariano, e as melodias Suspira, coração, suspira!, e Morena, morena, do compositor carioca Luciano Gallet.
Na execução, sucediam-se, cantando ao piano, integrantes do Conservatório de Música de Porto Alegre.
Em um tom típico dos encontros sociais daqueles tempos, a filha do anfitrião, Diamela Ganzo Fernandez, também participou da apresentação.

Por último, Eduardo Guimarães, dirigiu-se, novamente, aos presentes e aos eventuais ouvintes.
Quando a transmissão foi interrompida, os relógios marcavam 22h15.

- A idéia de colocar o aparelho radiofonico à disposição do público confirma a existência de certo interesse pelo que era chamado ainda de “radiotelefonia”. Interesse que é explorado, a partir da constituição da Rádio Sociedade Rio-grandense, pelas empresas importadoras e por pequenas oficinas de manufatura de aparelhos.

Em setembro de 1924, duas semanas após a primeira transmissão da R.S.R., a capa da edição dominical do Correio do Povo estampava um anúncio, o maior de todos naquela página, ocupando cinco colunas (23 cm aproximadamente) e atingindo 7,5 cm de altura:

- RADIOTELEFONIA
“Radio Corporation of America
Os afamados e ultramodernos aparelhos e artigos desta corporação serão em breve postos à venda pelos agentes e depositários:
BYINGTON Cia.
Andradas, 215A e 217 – Telefone 51 – Porto Alegre
No domingo seguinte, novo texto publicitário, com tamanho e destaque idênticos, propalava as vantagens dos receptores postos à venda a partir de então:

- RADIOTELEFONIA
“Radio Corporation of America
Com uma RADIOLA Super Heterodyne de seis válvulas, recebem-se, sem ligação à antena externa ou terra, irradiações de Buenos Aires e
Rio de Janeiro com alto-falante e algumas pilhas secas em lugar de acumuladores.
Mais informações com os agentes e depositários:
BYINGTON Cia.
Andradas, 215A e 217 – Telefone 51 – Porto Alegre
***
Os anúncios refletem um lance de oportunismo comercial da filial gaúcha da Byington, empresa paulista que, mais tarde, enveredaria para a produção de receptores e tentaria montar a primeira rede de emissoras do país.
Intenção semelhante, demonstra outras casas comerciais:

“Continua em experiências o aparelho de radiotelefonia instalado no Ginásio
Santa Maria, em Santa Maria, por meio do qual já foram ouvidos concertos dos teatros de Buenos Aires, embora a instalação não esteja completa. Dentro de pouco tempo, logo que sejam instaladas as baterias elétricas que faltam, será aquele aparelho inaugurado. É ele servido por quatro fortes lâmpadas, e poderá receber comunicações da distância de 2.000 km.
No Palace Hotel, em Cruz Alta, o senhor Armando P. Coelho, representante da firma Barreto Vianna e Cia., de Porto Alegre, instalou um moderno aparelho de radiotelefonia, o qual já deve estar funcionando”.

Em dezembro de 1924, nas vitrinas da Livraria do Globo na Rua dos Andradas, a firma Mattos e Alcântara expõe um receptor “construído especialmente para mostrar o adiantamento da indústria nacional neste gênero, fazendo-se apenas a importação de alguns materiais que aqui não se encontram”. Os aparelhos eram fabricados com a marca R.D.1 nas instalações da empresa, na Rua Duque de Caxias, n. 93.
A respeito, informava o jornal Correio do Povo:

“São de fácil manejo, podendo ser mudadas, com diminuta demora, as comunicações entre as várias estações emissoras. Pretendem os fabricantes construir, agora, aparelhos de quatro válvulas, os quais terão, assim, maior potência que os atuais de duas ou três apenas”.

Outro exemplo da produção local eram os aparelhos oferecidos pela Rádio Oficina, de
Notari e Tambellini, instalada na General Vitorino, n. 25A. Os catálogos desta pequena fábrica destacavam o elegante acabamento e o custo “inferior ao dos fabricados no estrangeiro”.
Os receptores poderiam, ainda, ser adquiridos pelo Correyo e Thelegraphos.
A empresa carioca Mestre e Bladge oferecia, nos jornais da capital gaúcha, catálogos de equipamentos de rádio “com 62 páginas e mais de 300 gravuras explicativas com instruções muito úteis a respeito” ao preço de 2$200 (dois mil e duzentos réis).
Os anúncios listavam o que poderia ser ouvido nas irradiações das emissoras: - concertos, conferências, cotações da bolsa, câmbio, teatros e telegramas com as últimas notícias.

Revista do Rádio
- Circulava, ainda, em Porto Alegre, entre os entusiastas da radiodifusão, a revista
Rádio, como atesta nota publicada por A Federação:

“Oferecidos pelo nosso distinto amigo e colaborador senhor Augusto de Carvalho, diretor da Repartição de Estatística e secretário da R.S.R., recebemos os três últimos números, aqui chegados, dessa excelente revista brasileira, de que a Rádio Sociedade Rio-grandense é correspondente nesta capital”.

OBS.: - É importante ressaltar que a publicação, a primeira do país no gênero, estava ligada aos pioneiros da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, surgindo, portanto, dentro deste clima de curiosidade e interesse crescentes pela radiodifusão.
A respeito, esclarece Maria Elvira Bonavita Federico:

“Essa revista teve seu primeiro número publicado no Rio de Janeiro a 13 de outubro de 1923. Era bimensal e saía nos dias primeiro e 15 de cada mês. Os números avulsos eram vendidos no Brasil a mil e quinhentos réis e, no exterior, o número avulso saía por dois mil e quinhentos réis, e o atrasado a quatro mil réis. As anuidades custavam, no Brasil, trinta mil réis e, no exterior, cinqüenta mil réis (no exterior significava edições em Buenos Aires e Montevidéu). As publicidades veiculadas no periódico eram as das firmas produtoras ou revendedoras de equipamentos e componentes de aparelhos de rádio (...)”.

Como era comum a utilização de material de publicações do centro do país nos jornais de Porto Alegre, muitas vezes sem a citação da origem, pode-se cogitar que a revista
Rádio tenha servido também de fonte para alguns textos técnicos veiculados na época.

Em setembro de 1924, pelos registros da imprensa, a maioria das transmissões da Rádio Sociedade Rio-grandense, aparentemente, ocorreu nos meses de setembro, outubro e novembro.
As mais importantes estavam relacionadas com a comemoração do centenário da imigração alemã, amplamente incentivada pelo governo estadual.

Nota:
- Os primeiros colonos de origem germânica haviam chegado um século antes em 25 de julho de 1824 à região do Vale do Rio dos Sinos, onde surgiriam municípios como São Leopoldo e Novo Hamburgo. Dentro do ideário Positivista (doutrina de Augusto Comte), louvava-se o trabalho dos imigrantes e do progresso das áreas por eles ocupadas.

Em 21 de setembro de 1924, domingo, duas semanas após a sua transmissão inaugural, a Rádio Sociedade Rio-grandense dedicou suas emissões à colônia alemã, inclusive com uma saudação do secretário da entidade, Augusto de Carvalho, o concerto vocal e instrumental oferecido pela R.S.R. foi ouvido em locais distantes da capital gaúcha como São Leopoldo, a 40 km, e Cruz Alta, a 359 km.

Dias depois, registrando estes fatos, o Correio do Povo anunciava:

“O governo do estado atendeu ao pedido que lhe fez aquela associação para instalar um microfone no Theatro São Pedro, a fim de irradiar, aos vários municípios do interior do estado, onde existem aparelhos radiotelefônicos, os espetáculos da Companhia Alemã de Operetas, esperada nesta capital dentro de poucos dias”.

Em 23 de outubro de 1924, a Rádio Sociedade Rio-grandense fez sua primeira experiência diretamente do Theatro São Pedro, onde a Companhia Alemã de Operetas Modernas Urban Cia; Lessing apresentava, naquela noite, o espetáculo “A Diretora dos Correios”.

- Dois dias depois, ocorreu a transmissão da opereta “O Primo lá das Índias”, de Eduard
Kuennecke, dentro das comemorações do centenário da imigração alemã, como previra um mês antes a nota publicada pelo Correio do povo.

Em 03 de outubro de 1924, os associados reuniram-se, aprovando o estatuto da R.S.R.e marcando para a semana seguinte a eleição da nova diretoria, substituindo a escolhida provisoriamente no início de setembro. O novo encontro foi precedido por uma convocação publicada no jornal Correio do Povo, assinada pelo secretário da diretoria provisória, Augusto de Carvalho.

Em 10 de outubro de 1924, a noite, nos salões da Confeitaria Rocco, na Rua Riachuelo, então um requintado ponto de encontro da elite porto-alegrense, a Rádio Sociedade Rio-grandense escolheu a sua primeira diretoria, composta pelos seguintes sócios:

Presidente – Juan Ganzo Fernandez.
Vice-presidente – João Alcides Cunha.
Primeiro-secretário – Augusto de Carvalho.
Segundo-secretário – José Pessôa de Mello.
Primeiro-tesoureiro – Dario Coelho.
Segundo-tesoureiro – Gustavo Leyraud.
Conselho Diretor – Edison Ganzo, Mario Reis, Tasso Bolivar Corrêa e Adeodato
Araújo.
Suplentes do Conselho Diretor – Germano Heussler, J. Ennet, Alfredo Meneghetti e
Pelegrin Filgueiras.
Conselho Fiscal – Viterbo de Carvalho, Luciano Junqueira e Luciano Cunha.

Contava, então, com 300 sócios. Entre eles, despontavam intelectuais, empresários e figuras da administração pública gaúcha.

cel. Juan Ganzo Fernandes
Esquerda 1904, direita 1918
***
O uruguaio Juan Ganzo Fernandez, um empreendedor. Em 1906, na cidade de Montevidéu/ Uruguai, associado a grupos financeiros, fundou a Ganzo, Durruty Cia; Cia. que, um ano depois, quando ele se transferiu para Porto Alegre, originou a Companhia Telefônica Rio-grandense, incorporando a antiga União Telefônica de Porto Alegre. Antes, já instalara estes serviços em seu país de origem e nos municípios gaúchos de Bagé, Erval, Dom Pedrito, São Gabriel, Rio Grande, Pelotas, São Lourenço do Sul, Cruz Alta e Santa Cruz do Sul. A sua empresa, como já foi citado, seria ainda a pioneira em telefonia automática na América do Sul. Outros nomes expressivos da Companhia Telefônica Rio-grandense eram Viterbo de Carvalho, integrante do Conselho Fiscal da R.S.R., e Victor Coussirat de Araújo, que fez parte do Conselho Diretor na fase de organização da sociedade.

O presidente da diretoria provisória, eleita em 04 de setembro de 1924, jornalista Decio Martins Coimbra, ocupava a direção interina de A Federação, cargo que deixa no ano seguinte, quando passa a se dedicar à diplomacia, inicialmente no Consulado do Brasil, em Paso de los Libres, na Argentina. Mantém-se, no entanto, como colaborador eventual do jornal governista.

Poeta e cronista, também publicava seus textos em A Federação o secretário da R.S.R.,Augusto Meireles de Carvalho, funcionário público desde 1915 e, na época, diretor da Repartição Estadual de Estatística.

Eduardo Guimarães, que proferiu o discurso inaugural na primeira transmissão daRádio Sociedade Rio-grandense, dividia-se entre a poesia simbolista, o periódico do Partido Republicano Rio-grandense e a direção da Biblioteca Pública do Estado.

O professor Tasso Bolivar Corrêa, do Conselho Diretor, dirigiu o Conservatório de Música de Porto Alegre entre 1921 e 1922, voltando ao cargo interinamente em 1925.

O vice-presidente João Alcides Cunha, era bacharel em Ciências Físicas e Matemáticas, lecionava em diversas instituições com destaque para a Escola Complementar, na qual, posteriormente, seria diretor no biênio 1935-1936.

Embora não se tenha conseguido confirmar esta possibilidade, o sobrenome do vice-presidente da diretoria provisória, J.M. Barreto Vianna, sugere ainda alguma ligação daR.S.R. com a Barreto Vianna e Cia., uma das empresas comerciais instaladas que importava aparelhos receptores. A sua participação poderia ser uma forma lógica de garantir a colocação no mercado de Porto Alegre dos equipamentos necessários aos associados.

Com tantas pessoas ligadas aos interesses dominantes, em especial do Partido Republicano Rio-grandense, no poder desde 1891, pode-se depreender uma proximidade da R.S.R. com o governo gaúcho, exercido com mão de ferro por Antônio Augusto Borges de Medeiros, então no seu quinto mandato como presidente do estado (governador).

O próprio surgimento desta sociedade de radiófilos coincide com um momento particularmente conturbado.

Em 28 de outubro de 1924, o capitão Luiz Carlos Prestes levanta em armas a guarnição de Santo Ângelo, tomando de assalto a cidade. O movimento dos tenentes, iniciado em São Paulo, no mês de julho, chegava ao Rio Grande do Sul com suas reivindicações de voto secreto, diminuição da descentralização federativa, limitação das atribuições do Poder Executivo, moralização e independência do Legislativo, ampliação da autonomia do Judiciário e obrigatoriedade do ensino primário e profissional.
Em contraste com as aspirações dos revoltosos, o governo estadual possuía bastante autonomia em relação à Presidência da República e, graças à Constituição redigida por
Júlio de Castilhos, o poder estava centralizado na figura do chefe do Executivo - no caso, Borges de Medeiros - que submetia a si o Legislativo e o Judiciário.
Era natural, portanto, que parcela da oposição acabasse juntando-se aos tenentes.
Parece natural, também, que, devido às relações de seus integrantes com o Partido Republicano Rio-grandense, a R.S.R. protagonizasse um fato como este, descrito em A Federação:

“A estação irradiadora da Rádio Sociedade Rio-grandense tem transmitido, para todo o estado, todos os informes e notas oficiais, referentes à atualidade política, insertos nas colunas de A Federação.
Merece ser destacada, dessas irradiações, a transmissão, anteontem feita, do manifesto do doutor Arthur Bernardes, presidente da República, à Nação, a proclamação do Congresso ao povo brasileiro, bem como a do doutor Carlos de Campos, presidente do estado de São Paulo. Segundo informes em seu poder, as irradiações da R.S.R. têm sido apanhadas, com muita nitidez, em diversas localidades do estado, pelos amantes da radiotelefonia”

Após novembro de 1924, conforme dados disponíveis indicam que tornaram-se esparsas ou cessaram totalmente as transmissões da Rádio Sociedade Rio-grandense.

Em fevereiro e março de 1925, longos e detalhados artigos publicados no jornal Correio do Povo, ensinavam a montar componentes de aparelhos receptores, mais precisamente quatro tipos de bobinas de indução eletromagnética. Contrariando a praxe de identificar, pelo menos com iniciais, os responsáveis por textos abordando assuntos especializados, não há neles indicação de autoria.

É possível, ainda, aventar o que os primeiros radiófilos porto-alegrenses conseguiam captar.
As dificuldades eram muitas, variando conforme as condições meteorológicas, como se depreende desta nota publicada na época:

“Os amadores da radiofonia devem estar satisfeitos pelos prenúncios de despedida que faz o atual verão com estes dias frescos que ultimamente tem feito, pois todos sabem que é a estação inimiga do rádio e principalmente este ano, que, num período de dois meses, apenas o dia 19 de janeiro foi o único perfeito às audições longínquas”.

Apesar destes problemas, no entanto, pode-se supor que as emissões captadas eram em sua maioria do Rio de Janeiro e de Buenos Aires. Em Montevidéu, desde 1922, transmitia a Rádio General Electric, que, no ano seguinte, passa a fazê-lo regularmente. No entanto, mesmo no Uruguai, sua sintonia era difícil, devido à interferência de uma estação de radiotelegrafia mais potente. Da então capital federal, chegavam principalmente as transmissões da Rádio Sociedade, cujo equipamento, com seus 6 kw, era o mais potente do país. Da Argentina, ouviam-se diversas emissoras. Entre elas, as de sinal mais forte eram a LOR Rádio Argentina e a Broadcasting La Nación. Alémdestas, havia transmissões de particulares, que dariam origem aos atuais radioamadores.

Em abril de 1925, a entidade Rádio Sociedade Rio-grandense voltaria a ser notícia.

“A Rádio Sociedade Rio-grandense iniciará, em princípios de maio, as suas irradiações.
Desde já está ela se preparando para fazer transmissões para vários pontos do estado, diariamente, das 20 às 24 h.
Além de uma orquestra, que executará números de músicas nacionais, a Rádio
Sociedade irradiará conferências do nosso ilustre colaborador Alcides Maya e dos doutores Luiz Guedes e Ulysses de Nonohay. No ano passado, fez ela diversas irradiações que foram recebidas em várias cidades da fronteira do estado.”

Observa-se que o texto parece confirmar a hipótese de que as transmissões concentraram- se nos meses de setembro, outubro e novembro de 1924.

Em 13 de junho de 1925, no entanto, a pretensão da Rádio Sociedade Rio-grandense de reiniciar as irradiações no mês seguinte não chega a se concretizar, como indica a nota a seguir, publicada no jornal A Federação:

“Esta sociedade vai recomeçar estes dias as suas irradiações para todo o estado.
Serão elas feitas com um aparelho mais possante, de 40 watts, cujo contrato de compra já foi realizado.
Serão instalados dois alto-falantes, sendo um na Confeitaria Rosiclér e outro no edifício onde funcionou o Metrópole Hotel”.

- No mesmo dia, texto semelhante, quase idêntico, aparecia nas páginas do Correio do Povo.

Pela presença, entre os integrantes da Rádio Sociedade Rio-grandense, de colaboradores dos dois principais diários do estado na época, tudo indica que uma nova transmissão da R.S.R. seria informada ao público, usando estes periódicos. Não é o que ocorre.
Além disto, era praxe na época o registro do aniversário de publicações – mesmo as concorrentes – ou de entidades as mais variadas.

Em setembro de 1925, nem o jornal A Federação nem o Correio do Povo lembram a transmissão de um ano antes da Rádio Sociedade Rio-grandense.

Em 21 de outubro de 1925, o jornal Correio do Povo, publica um interessante panorama das estações transmissoras brasileiras.
Nele, a única emissora gaúcha citada é a Sociedade Anônima Rádio Pelotense, que desde 25 de agosto de 1925, transmitia na cidade de Pelotas, na zona sul do estado.

Octavio Augusto Vampré apresenta uma explicação para o fim da R.S.R.:

“A Rádio Sociedade Rio-grandense procurou seguir o modelo da época, implantado no Rio por Roquette-Pinto. Radioamadorismo e associativo. Cada um de seus 300 sócios deveria contribuir com mensalidade de cinco mil réis.
Nem sempre pontuais nas contribuições, os sócios deixaram a empresa com sérios problemas econômicos. Partiu-se para o debate sobre as conveniências ou não de se apelar ao comércio. Este foi voto vencido. Pretendeu-se fidelidade aos princípios exclusivamente culturais ditados pelo fundador da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro”.

Em 05 de novembro de 1924, o Decreto n. 16.657 criava uma nova taxa a ser paga pelos interessados, como informa esta circular assinada pelo diretor geral dos telégrafos, Paulo Gomide:

“Em aditamento à portaria n. 3.378, de 2 de novembro de 1924, e tendo em vista a resolução do senhor ministro da Viação, datada de 13 do corrente, declaro, de acordo com o artigo 41 do regulamento aprovado pelo decreto n. 16.657, de 5 de novembro de 1924, publicado no Diário Oficial de dezembro do mesmo ano, que os possuidores de estações receptoras, além da taxa estabelecida pela lei orçamentária, devida por exercício financeiro, ficam obrigados ao pagamento da taxa de inscrição na importância de cinco mil réis, que será cobrada por meio de selos de estampilhas apostas no requerimento, independente do selo próprio de um mil réis devido por petição”.

O que agrava a situação da entidade R.S.R. - Rádio Sociedade Rio-grandense

Após novembro de 1924, custava 5$000 (cinco mil réis) a autorização para possuir um aparelho receptor, o que, sem dúvida, atingiu os entusiastas da época.

Nota:
- Apesar de sua curta duração, a Rádio Sociedade Rio-grandense foi, sem dúvida, a primeira tentativa de repetir em Porto Alegre as experiências levadas a cabo na época em outros centros, dos quais parecem ter tido maior influência as emissões provenientes do Rio de Janeiro e de Buenos Aires.
Embora praticamente esquecida depois da Segunda Guerra Mundial, a trajetória daR.S.R. embasou iniciativas posteriores como a da Rádio Sociedade Gaúcha que, desde o início das articulações para a sua fundação, procurou não repetir os mesmos erros de seus antecessores.
Prova disto são dois artigos publicados pelo Correio do Povo.

Em janeiro e fevereiro de 1927, dois artigos publicados pelo Correio do Povo, ambos intitulados - Por que não possuirá Porto Alegre a sua estação de radiodifusão? e, provavelmente, de autoria de José Baptista Pereira, um dos que tratava de organizar a nova entidade radiodifusora.

No primeiro deles, é reconhecido o caráter pioneiro das iniciativas de 1924, em Porto Alegre, e de 1925, em Pelotas. 
O autor constata, no entanto, que ambas enfrentaram problemas devido à falta de recursos e à ausência de um serviço de transmissões regulares e contínuas.

Em 19 de novembro de 1927, quando a Rádio Sociedade Gaúcha foi ao ar, a transmissão inaugural daquela noite era financiada pela Casa Armando F. Ribeiro e Cia. As emissões possuíam também dias e horários fixos: terças, quintas, sábados e domingos.
O rádio em Porto Alegre começava, deste modo, lentamente a engatinhar.

A experiência da Rádio Sociedade Riograndense ia ficando para trás.
As próprias condições políticas e econômicas dominantes em 1924 logo seriam suplantadas pelas mudanças provocadas pela Revolução de 1930.

O idealismo dos pioneiros da R.S.R. - Rádio Sociedade Rio-grandense, mesmo eivado (contaminados) das preocupações e interesses da elite castilhista, daria lugar ao rádio comercial.

A experiência da Rádio Sociedade Riograndense ia ficando para trás. As próprias condições políticas e econômicas dominantes em 1924 logo seriam suplantadas pelas mudanças provocadas pela Revolução de 1930.

Ficaria a impressão de que as experiências de setembro, outubro e novembro de 1924 permaneceram na memória apenas como um breve e idílico sarau hertziano.

REFERENCIAS:

1 Professor da Universidade Luterana do Brasil, em Canoas (RS), e mestrando do Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, onde desenvolve a dissertação Rádio e capitalismo no Rio Grande do Sul: uma abordagem histórica.
2 apud VAMPRÉ, Octavio Augusto. Raízes e evolução do rádio e da televisão. Porto Alegre: Feplam/ RBS, 1979. p. 34. O autor baseou-se em texto publicado pelo jornal A federação em 8 de setembro de 1924.
3 cf. RÁDIO Sociedade Gaúcha. Correio do povo. Porto Alegre, 20 nov. 1927. p. 5.
4 ASSOCIAÇÃO GAÚCHA DE EMISSORAS DE RÁDIO E TELEVISÃO. O meio rádio. Disponível na
Internet Erro! A origem da referência não foi encontrada.. 26 set. 1998.
5 Em 24 de novembro de 1935, passou a se chamar Avenida Getúlio Vargas em homenagem ao presidente da
República, que visitava Porto Alegre. Nos terrenos da Vila Diamela, passa hoje a Avenida Ganzo, referência ao antigo proprietário da área.
6 Expressão máxima da escola simbolista no Rio Grande do Sul, em especial devido ao livro A divina quimera, lançado em 1916, Eduardo Guimarães era o principal poeta gaúcho na época, além de redator de A federação.
É provável que esta dupla caracterização, em que pesavam significativamente os versos por ele escritos, tenha motivado a sua escolha para proferir o discurso inaugural da Rádio Sociedade Rio-grandense. Assinava, por vezes, grafando o sobrenome Guimaraens a exemplo de outro simbolista, o mineiro Alphonsus
Guimaraens (cf. SPALDING, Walter. Construtores do Rio grande. Porto Alegre: Sulina, 1969. v.1, p. 197./FRANCO, Sérgio da Costa. Porto Alegre: guia histórico. 3.ed. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 1998. p. 201-2.).
7 Equivalente a governador, denominação adotada em 1934. Neste caso, tratava-se de Antônio Augusto Borges de Medeiros.
8 A RADIOTELEFONIA em Porto Alegre. Correio do povo. Porto Alegre, 9 set. 1924. p. 4. Este e os demais trechos de textos dos anos 20, citados neste artigo, tiveram sua grafia adaptada às normas atuais. Foram corrigidos ainda erros na utilização da Língua Portuguesa ou eventuais falhas de composição.
9 Referência à Associação Protetora do Turfe, entidade responsável pela organização das corridas de cavalos neste período.
10 SOCIEDADE de radiotelefonia. Correio do povo. Porto Alegre, 7 set. 1924. p. 4.
11 Por curiosidade, vale lembrar que o maestro Luciano Gallet exercia, por esta época, a direção artística da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro (cf. FEDERICO, Maria Elvira Bonavita. História da comunicação: rádio e TV no Brasil. Petrópolis: Vozes, 1982. p. 39.).
12 apud VAMPRÉ, Octavio Augusto. Op. cit. p. 35.
13 Os dois, no entanto, acabariam por ser envolvidos no projeto da Rádio Sociedade Rio-grandense. Na diretoria provisória, escolhida em 4 de setembro de 1924, o nome de Victor Coussirat de Araújo constava entre os integrantes do Conselho Diretor e o de Viterbo de Carvalho no do Conselho Fiscal. Este último seria confirmado no cargo em 10 de outubro, quando foi eleita a primeira diretoria da entidade.
14 apud VAMPRÉ, Octavio Augusto. Op. cit. p. 35.
15 Não há registros precisos sobre o grau de parentesco de Edison Ganzo e Juan Ganzo Fernandez. Deve-se tratar, entretanto, de um dos cinco filhos do casal Clorinda e Juan Ganzo Fernandez, citados à época da morte deste último em 4 de abril de 1957 (cf. CORONEL Juan Ganzo Fernandez. Correio do povo, 7 abr. 1957. p. 20. Necrologia).
16 cf. VAMPRÉ, Octavio Augusto. Op. cit. p. 36. O autor baseou-se em texto publicado pelo jornal A federação em 5 de setembro de 1924.
17 Correio do povo. Porto Alegre, 6 set. 1924. p. 4.
18 Cargo da época, hoje equivalente ao de prefeito.
19 Intendente de Porto Alegre entre 1896 e 1924.
20 Intendente entre 14 de outubro de 1924 e 27 de fevereiro de 1928.
21 cf. HISTÓRIA ILUSTRADA DE PORTO ALEGRE. Porto Alegre: Já Editores, 1997. p. 113-137.
22 cf. FRANCO, Sérgio da Costa. Op. cit. p. 399.
23 Município do litoral sul gaúcho localizado a 330 km de Porto Alegre.
24 COMPANHIA Telefônica Rio-grandense. A federação. Porto Alegre, 24 maio 1926. p. 5.
25 Denominação popular do sulfeto de chumbo em estado natural. Por extensão, o termo identifica um tipo de receptor de rádio que era fabricado, muitas vezes, de forma caseira. Foi desenvolvido em 1906 por H.C.
Dunwood. Um pedaço de sulfeto de chumbo era ligado a uma antena por meio de um fio fino (o bigode de gato). O som chegava aos ouvintes em um par de fones auriculares. A variação de uma agulha sobre o cristal de galena fazia a sintonia da emissora (cf. VAMPRÉ, Octavio Augusto. Op. cit. p. 24-5).
26 UM APARELHO de radiotelefonia para o Correio do povo. Correio do povo. Porto Alegre, 15 jul. 1924. p. 4.
27 Correio do povo. Porto Alegre, 21 set. 1924. p. 1.
28 Correio do povo. Porto Alegre, 28 set. 1924. p. 1.
29 Pioneira da indústria eletro-eletrônica nacional, a Byington seria mais tarde absorvida pela multinacional Motorola. No terreno da radiodifusão sonora, começa a se estruturar em 2 de maio de 1927, quando a Rádio Cruzeiro do Sul, de São Paulo, foi inaugurada. Com o tempo, outras emissoras vão ser criadas ou absorvidas, como a Cruzeiro do Sul (Rio de Janeiro, 1933), a Kosmos (São Paulo, 1933) e a Clube do Brasil (cujo controle acionário foi adquirido em 1935).
30 APARELHOS de radiotelefonia. Correio do povo. Porto Alegre, 23 set. 1924. p. 5.
31 Localizada na principal rua do centro de Porto Alegre, a dos Andradas, a Livraria do Globo constituía-se
no principal ponto de encontro da intelectualidade gaúcha, sendo também freqüentada por políticos como o próprio Getúlio Vargas.
32 APARELHO radiotelefônico. Correio do povo. Porto Alegre, 7 dez. 1924. p. 4.
33 RADIOTELEFONIA. Correio do povo. Porto Alegre, 10 dez. 1924. p. 4.
34 RADIOTELEFONIA. Correio do povo. Porto Alegre, 2 mar. 1925. p. 5.
35 Correio do povo. Porto Alegre, 4 jan. 1924. p. 13.
36 RÁDIO. A federação. Porto Alegre, 21 nov. 1924. p. 5.
37 A Rádio Sociedade do Rio de Janeiro foi fundada em 20 de abril de 1923 e começou suas transmissões em
1º de maio daquele ano (cf. TINHORÃO, José Ramos. Música popular, do gramofone ao rádio e TV. São
Paulo: Ática, 1981. p. 34-5.).
38 Op. cit. p. 36.
39 BOBINA de indução Fundo de Cesto. Correio do povo. Porto Alegre, 8 fev. 1925. p. 12./
VARIOCOUPLER. Correio do Povo. Porto Alegre, 15 fev. 1925. p. 8./ BOBINA Honey-Comb. Correio do Povo. Porto Alegre, 24 fev. 1925. p. 3./ Bobina Honey-Comb. Correio do povo. Porto Alegre, 20 mar. 1925. p. 8.
40 O VERÃO e a radiofonia. Correio do Povo. Porto Alegre, 20 mar. 1925. p. 8.
41 Atual Rádio El Espectador.
42 RADIO EL ESPECTADOR. La historia de El Espectador contada por sua protagonistas. Disponível na Internet Erro! A origem da referência não foi encontrada.. 5 maio 1999. Apresenta a transcrição de uma mesa-redonda apresentada no dia 14 de dezembro de 1998. No caso, a informação é do jornalista Raúl Barbero, funcionário da emissora entre 1931 e 1936, colunista do jornal El país e autor do livro De la galena al
satélite.
43 cf. A RADIOTELEFONIA no Brasil. As estações transmissoras. Correio do povo. Porto Alegre, 21 out.
1925. p. 6.
44 Segundo o jornalista argentino Claudio Morales (consultado por correio eletrônico em 9 e 13 de maio de 1999), entre 1924 e 1925, 12 emissoras, diferentes e legalizadas, fizeram as suas transmissões em Buenos Aires. Além disto, outras nove, piratas, tiveram curta duração.
45 Primeira emissora da Argentina, cujas transmissões teriam iniciado em 1920.
46 Inicialmente não legalizada, deu origem à atual Rádio Mitre.
47 Cidades que atualmente fazem parte da chamada Grande Porto Alegre.
48 IRRADIAÇÕES radiofônicas. Correio do povo. Porto Alegre, 25 set. 1924. p. 4. É curioso observar que neste texto o redator do jornal rebatiza a entidade como Rádio Cultura Rio-grandense. Não há dúvida, no
entanto, de que se tratava da Rádio Sociedade Rio-grandense, por citar o nome do secretário da R.S.R., Augusto de Carvalho, e pela interligação dos fatos com registros posteriores do mesmo periódico.
49 cf. RÁDIO Sociedade Rio-grandense. Correio do povo. Porto Alegre, 23 out. 1924. p. 4.
50 cf. Correio do povo. Porto Alegre, 26 out. 1924. p. 8.
51 RADIOTELEFONIA. A federação. Porto Alegre, 4 out. 1924. p. 2.
52 cf. RÁDIO Sociedade Rio-grandense. Correio do povo. Porto Alegre, 8 out. 1924. p. 1. Apedido.
53 cf. ELEIÇÕES da primeira diretoria da R.S.R. A federação. Porto Alegre, 11 out. 1924. p. 2.
54 Ganzo integrava o Partido Nacional, no Uruguai, ou seja, era um blanco (conservadores) na tradicional divisão política do seu país com os colorados (liberais), tendo lutado nas escaramuças políticas de 1897 e na revolta liderada por Aparício Saraiva, em 1904, contra o governo de José Battle y Ordóñez. Como resultado da sua participação nestes conflitos armados, ostentava a patente de coronel.
55 Em 1926, Juan Ganzo Fernandez vende a Companhia Telefônica Rio-grandense para a norte-americana
International Telegraph and Telephone, permanecendo como diretor da empresa até 1940, quando se transfere para Florianópolis, onde cria a Companhia Telefônica Catarinense (cf. CORONEL Juan Ganzo Fernandez.
Correio do povo, 7 abr. 1957. p. 20. Necrologia.).
56 cf. MARTINS, Ari. Escritores do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Editora da UFRGS/ IEL, 1978. p. 151.
57 cf. MARTINS, Ari. Op. cit. p. 132.
58 cf. MARTINS, Ari. Op. cit. p. 157.
59 Atual Instituto de Educação General Flores da Cunha.
60 cf. MARTINS, Ari. Op. cit. p. 173.
61 A adesão à revolta cresceria nos meses seguintes. Em dezembro, os militares deslocam-se em direção ao Paraná. Do seu encontro com os revoltosos paulistas, nasce a Coluna Prestes, responsável pela maior marcha militar da história, com quase 25.000 km.
62.Os discursos e proclamações referidos pelo jornal do Partido Republicano Riograndense foram proferidos e divulgados no dia 15 de novembro, data da Proclamação da República, e repudiavam os levantes tenentistas. Na mesma época, a imprensa estava sob forte pressão do governo. O chefe de Polícia, Armando Azambuja, determinara no dia 4 de novembro a censura a todas as notícias sobre o movimento revolucionário, designando um funcionário público de nome Sócrates Diniz para atuar junto à redação do principal diário do estado, o Correio do povo. O diretor do jornal, José Alexandre Alcaraz, protestou contra a medida, sem resultados, anunciando por fim, como forma de protesto, que não seriam mais publicadas notícias a respeito da revolta 63.
62 IRRADIAÇÕES da R.S.R. A federação. Porto Alegre, 19 nov. 1924. p. 5.
63 O CORREIO do povo e a censura. Correio do povo. Porto Alegre, 6 nov. 1924. p. 5.
64 A RADIOTELEFONIA em Porto Alegre. Correio do povo. Porto Alegre, 17 abr. 1925. p. 4.
65 Famoso ponto de encontro da Rua dos Andradas, administrado pelos irmãos Medeiros. A área em torno da confeitaria era conhecida como Largo dos Medeiros.
66 SOCIEDADE Rádio Rio-grandense. A federação. Porto Alegre, 13 jun. 1925. p. 5.
67 SOCIEDADE Rádio Rio-grandense. Correio do povo. Porto Alegre, 13 jun. 1925. p. 4.
68 A RADIOTELEFONIA no Brasil. Estações transmissoras. Correio do povo. Porto Alegre, 21 out. 1925. p. 6.
69 Octavio Augusto Vampré observa que a Rádio Sociedade Rio-grandense “não chegou a comemorar o seu segundo aniversário” (Op. cit. p. 37). Dá, portanto, a entender que a R.S.R. chegou a completar um ano ou mais de atividades, hipótese que os dados aqui apresentados parecem desmentir.
70 Op. cit. p. 37.
71 TAXAS para instalações de aparelhos radiotelefônicos. Correio do povo, 3 fev. 1925. p. 4.
72 A autoria dos dois textos é indicada apenas pelas iniciais J.B.P. Ao final do segundo artigo, há uma convocação:
“Um grupo de dedicados amigos do rádio pretende realizar, dentro de breves dias, uma reunião queserá previamente anunciada, para tratar deste momentoso assunto. Daqui lançamos um insistente apelo atodos os nossos amadores para que não deixem de comparecer, levando-lhes o seu auxílio e preciosa solidariedade”
(POR QUE não possuirá Porto Alegre a sua estação de radiodifusão? Segunda parte. Correio do povo.
Porto Alegre, 8 fev. 1927. p. 3.). Quando o encontro citado ocorre, no dia seguinte, José Baptista Pereira vai ser um dos escolhidos para o comitê organizador responsável pelo projeto de estatutos da Rádio Sociedade
Gaúcha, desempenhando papel de destaque na constituição da entidade.
73 cf. POR QUE não possuirá Porto Alegre a sua estação de radiodifusão? Primeira parte. Correio do povo.
Porto Alegre, 29 jan. 1927. p. 3.
74 cf. RÁDIO Sociedade Gaúcha. Correio do povo. Porto Alegre, 18 nov. 1927. p. 4.75 Referente a Júlio de Castilhos (1860-1903), referência ideológica de Antônio Borges de Medeiros, na época, principal liderança política gaúcha que, na segunda metade da década de 20, vai cedendo lugar a Getúlio
Vargas, ele também um admirador do velho patriarca do Partido Republicano Rio-grandense.
***
Referências bibliográficas e eletrônicas
ASSOCIAÇÃO GAÚCHA DE EMISSORAS DE RÁDIO E TELEVISÃO. O meio rádio.
Disponível na Internet Erro! A origem da referência não foi encontrada.. 26 set.
1998.
FEDERICO, Maria Elvira Bonavita. História da comunicação: rádio e TV no Brasil. Petrópolis:Vozes, 1982.
FRANCO, Sérgio da Costa. Porto Alegre: guia histórico. 3.ed. Porto Alegre: Editora da
UFRGS, 1998.
GALVANI, Walter. Um século de poder: os bastidores da Caldas Júnior. Porto Alegre:
Mercado Aberto, 1994.
HISTÓRIA ILUSTRADA DE PORTO ALEGRE. Porto Alegre: Já Editores, 1997.
HISTÓRIA ILUSTRADA DO RIO GRANDE DO SUL. Porto Alegre: Já Editores, 1998.
MARTINS, Ari. Escritores do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Editora da UFRGS/ IEL,1978.
NOSSO SÉCULO. São Paulo: Abril Cultural, 1980-1982. 5v.
PESAVENTO, Sandra Jatahy. História do Rio Grande do Sul. 7.ed. Porto Alegre: MercadoAberto, 1994.
RADIO EL ESPECTADOR. La historia de El Espectador contada por sus protagonistas.
Disponível na Internet Erro! A origem da referência não foi encontrada. 5 maio
1999.
SPALDING, Walter. Construtores do Rio grande. Porto Alegre: Sulina, 1969. 3v.
TINHORÃO, José Ramos. Música popular, do gramofone ao rádio e TV. São Paulo:
Ática,1981.
VAMPRÉ, Octavio Augusto. Raízes e evolução do rádio e da televisão. Porto Alegre: Feplam/RBS, 1979.
Para a elaboração deste texto foram consultadas, ainda, as coleções dos jornais Correio do povo (de julho de 1924 a setembro de 1926; de janeiro, fevereiro, agosto, setembro, novembro e dezembro de 1927; e de abril de 1957) e A federação (outubro de 1924 a setembro de 1926). Também foi contatado, por meio de correio eletrônico, o jornalista argentino
Claudio Morales, coordenador da Oficina de Jornalismo Radiofônico do Colégio

Pasteur, de Buenos Aires

Para a elaboração deste texto foram consultadas, ainda, as coleções dos jornais Correio
do Povo (de julho de 1924 a setembro de 1926; de janeiro, fevereiro, agosto, setembro,
novembro e dezembro de 1927; e de abril de 1957) e A Federação (outubro de 1924 a setembro
de 1926). Também foi contatado, por meio de correio eletrônico, o jornalista argentino
Claudio Morales, coordenador da Oficina de Jornalismo Radiofônico do Colégio
Pasteur, de Buenos Aires

Há um século no Correio do Povo... 9 de abril de 1909

SERVIÇO TELEPHONICO 

Como há dias noticiamos, a Companhia Telephonica Rio-Grandense (Ganzo, Durruty & C.) distribuiu aos seus assignantes a relação destes. Essa relação consta de um folheto de difficil manuseio e, portanto, demandando maior perda de tempo quando o assignante deseja saber o numero do telephone com o qual deseja communicação. Seria melhor que a empreza adoptasse para esse serviço, o modelo dos blocos já usados pela União Telephonica. A propósito, registraremos que essa ultima companhia deve fazer aos seus assignantes distribuição de novas listas, pois as que actualmente existem já estão bastante antigas e portanto já soffreram muitas alterações. Está isso no interesse não só dos assignantes como da propria empreza. Hontem, do nosso escriptorio foi pedida para o centro da União Telephonica, ligação com uma firma industrial desta praça. Responderam-nos dali, que a firma em questão não tinha telephone da União, ao que retrucamos que sim, sendo-nos ainda contestado categoricamente, que laboravamos um equivoco. Não tivessemos certeza do que affirmavamos e, diante da negativa tão reiterada e tão formal, haveriamos desistido da communicação solicitada e certos ficariamos de que a firma alludida não possuia telephone da União. Em vista da nossa teimosia, porém, o pessoal do centro procedeu uma verificação e convenceu-se afinal de que a razão estava comnosco. D’onde se conclue: que são indispensaveis as listas de assignantes, renovadas ao menos annualmente, com as alterações que forem occorrendo durante esses doze mezes e que a companhia deve ter mais cuidado no registro dos seus assignantes, para que, alguns destes, como ia succedendo no caso presente, não fiquem privados do serviço de um telephone a cuja utilização têm direito, porque pagam a respectiva assignatura.

http://www.cpovo.net/jornal/A114/N191/HTML/Seculo.htm

Há um século no Correio do Povo.. 3 de abril de 1909

Companhia Telefônica Rio-Grandense
Companhia Telephonica – A Companhia Telephonica Rio-Grandense (empreza Ganzo, Durruty & C.) começou, hontem, a distribuir folhetos contendo a lista dos seus assignantes e as instrucções para o uso de seus aparelhos. Já que a nova empreza entra em funccionamento regular, devemos advertil-a de que precisa de organizar o seu serviço, de modo a poder elle preencher os seus fins, o que agora não succede. Ao contrário, tal como está, esse serviço chega a tornar-se até prejudicial, como ainda hontem tivemos occasião de observar mesmo comnosco. As ligações são dadas com extraordinaria demora, e, não raro, cortadas inesperadamente, quando os assignantes ainda estão se communicando; os chamados, para o centro, não são attendidos; as operadoras começam, outras vezes, a importunar os assignantes com chamados em falso, etc. Esperamos que tudo isso seja melhorado, em a nova phase que a empreza vae iniciar. 
http://www.correiodopovo.com.br/Jornal/A114/N185/HTML/Seculo.htm

Há um século no Correio do Povo... 26 de maio de 1908

Companhia Telephonica Rio-Grandense – Os srs. Ganzo, Durruty & C., proprietarios da empreza que explora diversos centros telephonicos, resolveram constituir uma sociedade anonyma, com a denominação de Companhia Telephonica Rio-Grandense. A nova empreza continuará com o serviço dos centros e linhas que se acham funccionando actualmente, e explorará as novas concessões que possue a firma Ganzo, Durruty & C. O capital será de 1.100 contos de réis, dividido em 5.500 acções de 200$ cada uma, sendo 800 contos correspondentes ao acervo de bens dos incorporadores e 300 contos, em moeda corrente. 


http://www.correiodopovo.com.br/jornal/A113/N239/html/Seculo.htm